Então, povo?
há 11 meses que ninguém posta nada de novo neste blog?
Então nem o último insulto que o Magnum Consilium Veteranorum fez ao Grupo de Fados do OUP merece uma indignaçãozita, sequer?
Muito bem: abro eu as hostilidades.
Amigos e visitantes:
nesta última serenata de recepção ao caloiro, o grupo de fados do OUP não foi convidado a participar.
Isso mesmo: leram bem.
Ora, ou muito me engano, ou há aqui veteranada. Fartos de não terem autoridade, as cabecinhas pensadoras da nossa praxe viraram-se para o autoritarismo. Deu-lhes para porem no mesmo pé de igualdade o OUP e os restantes agrupamentos circum-escolares (se é que têm esse estatuto). E aqui começa o erro fatal:
1 - o OUP é uma instituição mais antiga do que a maioria das faculdades da Universidade do Porto;
2 - o OUP, do alto dos 95 anos de História e de memória viva da Academia - para o bem e para o mal -, não aceita lições de praxe de ninguém, nem precisa de ser chamado às responsabilidades académicas que sempre soube cumprir - quando para isso teve condições;
3- o OUP trajou capa e batina durante o PREC, numa altura em que os pais de alguns dos actuais "Duces Facultis" ainda nem haviam começado a namorar...
4 - o OUP sempre manteve um grupo de fados, dentro da medida das suas possibilidades artístico-etílico-voluntariosas e, com isso, criou uma escola e uma continuidade - coisa que nenhuma das outras faculdades da UP (e não só) mantém, sequer; regra geral, esses grupos foram (são) intenções espúrias e sobrevivem para Queimas e afins graças a velhas glórias que só aparecem nessas alturas;
5 - este vosso criado, que tantos ouvidos arranhou com as suas guitarrices, por exemplo [não desfazendo o enorme Zé Costa, o supremo Ruizão, o academíssimo Misha, o incansável Astro, o veteraníssimo Tocas, o esforçadíssimo Tutan, e tantos outros (perdoem-me a não-inclusão no rol) que actualmente militam na Veterana] deixou o OUP e, por consequência, o Grupo de Fados, ainda as cabecinhas (muito "inhas"...) pensadoras não sabiam as primeiras letras;
Por todas estas razões, e por qualquer razão válida que se queira apresentar,
não pode:
1 - o OUP ser tratado em pé de igualdade com os outros organismos de índole artística académica da UP e Academia portuense; não uso a palavra "congéneres", porque não o são (por mais que o quisessem e por mais que assim sejam por nós tratados...);
2 - o Grupo de Fado Académico do OUP ser tratado em pé de igualdade com outros grupos de fados da Invicta Academia, pelas mesmíssimas razões.
NOTA: NÃO ESTÁ EM CAUSA O FACTO DE MUITOS DESSES GRUPOS (EVENTUALMENTE TODOS) TEREM UMA QUALIDADE ARTÍSTICA E DE EXECUÇÃO SUPERIOR AO DO GF DO OUP!Se a questão passa pelo facto de nos últimos dois anos o OUP não ter cumprido uma qualquer "obrigação académica" (a desculpa esfarrapada dada pelo Américo), é caso para perguntar:
onde estavam esses "senhores" quando o OUP:
1.
reintroduzia a capa e batina no Porto?
2. constituía o acervo da
memória da Praxe?
3. cedia as suas instalações e o seu potencial humano na
adopção da capa e batina como traje académico nacional em detrimento da velha "loba"?
4. aderia aos
lutos académicos de 1914, 1939 e 1969?
5.
levava aos quatro cantos do mundo o nome da Academia, ao som dos Amores de Estudante?
6. criava o conceito de Festival de Tunas em Portugal?
7. moldava o rosto da queima com a Romaria Académica?
8.
manteve a Praxe viva, contra ventos e marés politiqueiras?
9 . criava o
traje feminino?...
10. era agraciado com a
Medalha de Ouro de Mérito Artístico da Cidade do Porto?
11. a sua alta conduta cívica e moral lhe valiam a
Comenda da Ordem de Benemerência (atente-se bem no significado desta comenda)?
12. o seu papel inigualado na divulgação da cultura portuguesa junto das populações mais isoladas lhe valia a
Comenda da Ordem de Instrução Pública (e reflicta-se no significado deste galardão) - quantas ambulâncias foram compradas com o dinheiro angariado pelos espectáculos que o OUP ofereceu? Quantas igrejas recuperadas? Quantas agremiações culturais reestruturadas, reequipadas, "re-sedeadas"?
14. dava dos estudantes do Porto a imagem de generosidade, daqueles que, mais favorecidos pela sorte, partilhavam com irreverência e galhardia o seu tempo, sempre com o mesmo brio, no palácio como na choupana?
Quantas outras instituições de cariz académico desta cidade, e mesmo sem este cariz, pode apresentar algo que sequer se assemelhe? Não certamente o Magnum... Sem desprimor para os
outros grupos de fados, que não devem ser responsabilizados por esta fantochada: também eles não podem fazê-lo...
Para tudo resumir: onde estava o Magnum Consilium Veteranorum quando o OUP cumpria SOZINHO as OBRIGAÇÕES DE TODOS?
Espera lá: NÃO estava, pura e simplesmente. E pasme-se: PORQUE NEM SEQUER EXISTIA!...
Isto, se mais não fosse, deveria fazer corar de vergonha os perpetradores da aleivosia.
Como Académico, sinto-me desconsiderado e injustiçado. Como Orfeonista, sinto-me muito acima desta tropa fandanga de veteranos de 3/4 de mês - tanto que a surpresa é maior do que o real valor do insulto.
Pessoalmente, reajo muito mal às injustiças. Não me critiquem por reagir ainda mais a uma injustiça que considero pessoal.
Abraço a todos. Parabéns pelo XXI FITU e até ao próximo ensaio.